(Tradução do 5° artigo: “Dilo’s Latest Piece: A Baroque Style Jewel Chest”)

A Obra Mais Recente de Dilo: Um Porta-Jóias Estilo Barroco

www.woodnewsonline.com – No. 64 – December 2010
Por Dilo Márcio Fernandino
Belo Horizonte, MG, Brasil

Olá amigos da madeira,

(Dilo está de volta... depois de um longo afastamento!)

Desta vez estou mostrando uma minúscula cômoda especialmente desenhada por mim no estilo Barroco, destinada a satisfazer o desejo de um inteligente colecionador em guardar sofisticadamente jóias, relógios ou canetas. Ela tem um par de portas frontais com fechaduras que protegem sete pequenas gavetas e duas grandes portas que fecham dois compartimentos laterais.

Um fato importante que precisa ser dito é que esta é a primeira vez que estou criando uma obra em madeira destinada para venda. Estou certo que terei muita dificuldade para vendê-la por um preço justo (não aviltado) porque a moderna “cultura” brasileira não considera obra em madeira como obra de arte. Então terei que traçar minha estratégia visando os possíveis compradores alvos, bem como assumir algumas mudanças nos meus padrões de trabalho típicos. Terei que ser bastante corajoso para encarar essa nova forma de pensar.

Visando essa finalidade comercial, tive que operar uma mudança fundamental na minha mentalidade: substituir a madeira com que tenho trabalhado por tanto tempo – o jacarandá-da-baía (Dalbergia nigra) – pela canjerana (Cabralea multijuga) a qual é bastante similar ao cedro (Cedrela odorata). A principal razão é a raridade do jacarandá-da-baía e sua extrema dificuldade em ser entalhado, qualidades estas que os possíveis compradores nunca reconhecerão nem pagarão à altura. A razão secundária é a propriedade única da canjerana de mudar sua própria cor, de rosada para uma linda púrpura escura, apenas sob a rápida ação do ar/luz solar.

Comprei uma tábua de canjerana de demolição, grosseira e empenada (225 x 40 x 4 cm.), com furos de insetos e um pouco de alburno. Entretanto, não levei a tábua para ser processada em máquinas de marcenaria para a obtenção das peças mais finas, porque eu não poderia permitir nenhum desperdício causado pela plaina e serra elétricas, porquanto isso reduziria dramaticamente a madeira utilizável. Ao invés, cortei todas as tábuas mais finas e os montantes usando apenas um serrote e os aplainei individualmente à mão. Embora sua consistência semelhante à do cedro seja o padrão usual entre os entalhadores brasileiros, para mim pareceu mais semelhante a de um suave bloco de cera de abelhas. Assim, o tempo efetivo de trabalho que gastei na canjerana foi cerca de um quarto do tempo total que eu teria gasto se fosse no jacarandá-da-baía.

Foi inteiramente feita na minha minúscula oficina durante as horas vagas e gastou 4 ½ meses para ser terminada, incluindo a forração de veludo azul. O polimento foi feito com cera pessoalmente preparada (carnaúba, cera de abelhas, terebintina). Foram usadas ferramentas manuais exclusivamente.

Dimensões: 68 cm de altura x 50 cm de largura x 40 cm de profundidade

Saudações,

Dilo Márcio Fernandino
Belo Horizonte, MG, Brasil